DRAMA NORDESTINO

879

Musik skapad av Alfredo Assumpção med Suno AI

DRAMA NORDESTINO
v4

@Alfredo Assumpção

DRAMA NORDESTINO
v4

@Alfredo Assumpção

Text
Olhos fundos, profundos, vazios... um submundo, vazio, vadio.
Janela devassa, franze a fronte. Olha adiante. É amedrontante.
Pestana, matraqueia as pálpebras, como metáforas e metáforas.
Alcança dificultado aquém, além, ali, lá... quisera fugir bem mais pra lá.

Espanta, geme, treme os lábios secos. Sem saída desses becos.
Murmura preces, se séca. É quando peca. Se tudo se séca.
Tudo sêco. Tudo sêco. Chão sêco. É bico sêco. Tudo sêco.
Caatinga que fede, catinga. Tudo em volta é restinga na caatinga.
Carniça, juazeiro, o pasto, muito vasto, mas nefasto, sêco o pasto.
A planta, a criação, ele... bichos viventes, mais em mentes, somente.
Tudo sêco. Tudo séca. Tudo sêco. Tudo sêco. Chão sêco. É bico sêco.

Deita no quintal à sombra sem vida de galhos de flores esquecidas.
Na cabeça de boi, na pele tostada, brotam feridas, mal resolvidas.
Nem uma gota de suor, nenhum glamour, ao longe passa o amor.
As costelas tentam varar a carne. Que o espírito desencarne.
Apêlo. – Chuva que não vem... – Venha! Pra me molhar também.
Morro de pena. Morro de dó... Assim com papai, é de dar dó.

Mão no punhal. Nem mal. Nem uma gota de sangue. Animal.
Só o sorriso agradecido, cabra macho, ficará adormecido.
Sua dentadura branca e falha, corta-me a alma mais que navalha.
Morre papai. Agradecido. Ele não se mataria. O falecido.
Se não eu, quem me matará?... A sêca?... à ela não vou me dar.

Rego com lágrimas a poeira. Toda a tristeza traiçoeira, zombeteira.
Corro toda a caatinga. Rasgo-me nos espinhos. Nem de longe os carinhos.
A noite vem. Com ela a lua. Divina dama, Nossa Senhora, chega nua.
Com a luz fresca, com o olhar pálido. Eu prostrado, quase inválido.
Conversa comigo. Conto meu drama. Ela me chama. A Deus clama.
Falo com ela “não deixe que a seca me mate!...Que não mais me maltrate.”

Assoa o nariz e as nuvens chegam. Que ao céu meus braços se ergam!...
O céu chora e me acaricia, deitado de bruços, esvaindo em soluços.
Lado a lado ao punhal em papai. O pobre coitado inerte se esvai.
Chove!... Chove!... Chove!... Não me recordo se chove mais. E, chove.
Só me lembro que morri. Nada mais vi. Mas, me lembro que morri.
Lado a lado a papai, afogado. Com ele abraçado, meu bem amado.
Eterno meu velho por mim cuidado. Em vida, pós vida, abraçados.
Musikstil
Brazilian Folk Music - Baião - Luiz Gonzaga's style - Brazilian Accent - Man's voice - Harmonic, acoustic guitar, acoustic bass guitar, drummers

Du kanske gillar

Cover av låten Dwadzieścia lat razem
v4

Skapad av Anna Czaja- Stabla med Suno AI

Cover av låten piccole donne new 4
v5

Skapad av Antonio Mattiello med Suno AI

Cover av låten Chilometri e Tè
v4

Skapad av Francesco Di Nobile med Suno AI

Cover av låten On the Ground
v4.5

Skapad av Toni Alvira med Suno AI

Relaterad spellista

Cover av låten Escucha él silencio
v4

Skapad av Abednego Retamales med Suno AI

Cover av låten Ne sírj anyám, van még remény
v4

Skapad av Alexander Tajthy - Hayos med Suno AI

Cover av låten Lali
v4

Skapad av Lajos Bagi med Suno AI

Cover av låten El sueño que construimos
v4

Skapad av Angela Virginia Tomala med Suno AI