DRAMA NORDESTINO

743

Musica creata da Alfredo Assumpção con Suno AI

DRAMA NORDESTINO
v4

@Alfredo Assumpção

DRAMA NORDESTINO
v4

@Alfredo Assumpção

Testi
Olhos fundos, profundos, vazios... um submundo, vazio, vadio.
Janela devassa, franze a fronte. Olha adiante. É amedrontante.
Pestana, matraqueia as pálpebras, como metáforas e metáforas.
Alcança dificultado aquém, além, ali, lá... quisera fugir bem mais pra lá.

Espanta, geme, treme os lábios secos. Sem saída desses becos.
Murmura preces, se séca. É quando peca. Se tudo se séca.
Tudo sêco. Tudo sêco. Chão sêco. É bico sêco. Tudo sêco.
Caatinga que fede, catinga. Tudo em volta é restinga na caatinga.
Carniça, juazeiro, o pasto, muito vasto, mas nefasto, sêco o pasto.
A planta, a criação, ele... bichos viventes, mais em mentes, somente.
Tudo sêco. Tudo séca. Tudo sêco. Tudo sêco. Chão sêco. É bico sêco.

Deita no quintal à sombra sem vida de galhos de flores esquecidas.
Na cabeça de boi, na pele tostada, brotam feridas, mal resolvidas.
Nem uma gota de suor, nenhum glamour, ao longe passa o amor.
As costelas tentam varar a carne. Que o espírito desencarne.
Apêlo. – Chuva que não vem... – Venha! Pra me molhar também.
Morro de pena. Morro de dó... Assim com papai, é de dar dó.

Mão no punhal. Nem mal. Nem uma gota de sangue. Animal.
Só o sorriso agradecido, cabra macho, ficará adormecido.
Sua dentadura branca e falha, corta-me a alma mais que navalha.
Morre papai. Agradecido. Ele não se mataria. O falecido.
Se não eu, quem me matará?... A sêca?... à ela não vou me dar.

Rego com lágrimas a poeira. Toda a tristeza traiçoeira, zombeteira.
Corro toda a caatinga. Rasgo-me nos espinhos. Nem de longe os carinhos.
A noite vem. Com ela a lua. Divina dama, Nossa Senhora, chega nua.
Com a luz fresca, com o olhar pálido. Eu prostrado, quase inválido.
Conversa comigo. Conto meu drama. Ela me chama. A Deus clama.
Falo com ela “não deixe que a seca me mate!...Que não mais me maltrate.”

Assoa o nariz e as nuvens chegam. Que ao céu meus braços se ergam!...
O céu chora e me acaricia, deitado de bruços, esvaindo em soluços.
Lado a lado ao punhal em papai. O pobre coitado inerte se esvai.
Chove!... Chove!... Chove!... Não me recordo se chove mais. E, chove.
Só me lembro que morri. Nada mais vi. Mas, me lembro que morri.
Lado a lado a papai, afogado. Com ele abraçado, meu bem amado.
Eterno meu velho por mim cuidado. Em vida, pós vida, abraçados.
Stile di musica
Brazilian Folk Music - Baião - Luiz Gonzaga's style - Brazilian Accent - Man's voice - Harmonic, acoustic guitar, acoustic bass guitar, drummers

Potrebbe piacerti

Copertina della canzone Lucila
v4

Creato da Ibarra Hernández Miguel Angel con Suno AI

Copertina della canzone Rêve de gosse en cours
v4

Creato da HASSAN MARRAKCHI con Suno AI

Copertina della canzone Tres Almas, Un Mismo Andar
v4

Creato da avelino vedia mancilla con Suno AI

Copertina della canzone מה תפקידך
v4

Creato da אייל רובן con Suno AI

Playlist correlata