Nasci livre como o vento ao ciciar das cigarras, cresci com o canto das aves e o bordonear das guitarras, mais arisco que um guará! Mais firme que um tamanduá! Na causa que eu meto as garras! Senhores não levem a mal se meu canto cheira terra, se traz histórias de guerras é que outras vidas vivi, na beira do Ivaí, peleando deixei meu sangue, pelo meu povo Caingangue e meus irmãos guaranis. Na beira do Ivaí peleando deixei meu sangue, pelo meu povo Caingangue e meus irmãos guaranis. E nesta vida de agora peleio abrindo o peito, para exigir os direitos do povo da minha raça, que vitimas da trapaça passam fome e passam sede, e quem sonhou numa rede chora num banco de praça. Que vitimas da trapaça passam fome e passam sede, e quem sonhou numa rede chora num banco de praça. Com as matas derrubadas e os rios envenenados, o indígena coitado perde a sua cultura, vejam que triste figura que me corta o coração, ao ver implorar um pão quem tinha carne em fartura. Vejam que triste figura que me corta o coração, ao ver implorar um pão quem tinha carne em fartura. Eu descendo de uma raça da província Del Guairá, beirando o rio paraná eu já fui um vinitu, percorri o Peabiru como itaguajé turuna, e já fui um bituruna nos vales do iguaçu. Percorri o Peabiru como itaguajé turuna, e já fui um bituruna nos vales do iguaçu.