Nasci livre como o vento ao ciciar das cigarras, cresci com o canto das aves e o bordonear das guitarras. Mais arisco que um guará, mais firme que um tamanduá, na causa que eu meto as garras. Senhores não leve a mal se meu canto cheira terra, se traz histórias de guerra é que outras vidas vivi, na beira do Ivaí peleando deixei meu sangue, pelo meu povo Caingangue e meus irmãos Guarani. Na beira do Ivaí peleando deixei meu sangue, pelo meu povo Caingangue e meus irmãos Guarani. E nesta vida de agora peleio abrindo o peito, para exigir os direitos do povo da minha raça, que vitimas da trapaça passam fome e passam sede, e quem sonhou numa rede chora num banco de praça. Que vitimas da trapaça passam fome e passam sede, e quem sonhou numa rede chora num banco de praça. Com as matas derrubadas e os rios envenenados, o indígena coitado perde a sua cultura, vejam que triste figura que me corta o coração, ao ver implorar um pão quem tinha carne em fartura. Vejam que triste figura que me corta o coração, ao ver implorar um pão quem tinha carne em fartura. Eu descendo de uma raça da província del guairá, beirando o rio Paraná eu já fui um vinitu, percorri o peabiru como itaguajé turuna, e já fui um bituruna no vale do iguaçu. Percorri o peabiru como itaguajé turuna, e já fui um bituruna no vale do iguaçu.