[Verso 1] Na viela cheirando a sopa Ele vinha a empurrar o carrinho Camisa aberta Riso na boca Fazia piada do próprio destino
Chamavam-lhe o Rebola Bilhas (baixinho) Quando a esquina ficava vazia Tinha um jeito de virar as garrafas E enchia mais do que vinha da guia
[Refrão] Rebola bilhas Ó sorte torta Quem nunca teve Manda a pedra Fiz da rua a minha porta Do gás A minha moeda
Rebola bilhas Rei do bairro A rir da fome que me prendia Enchi a vida por entre falhas Com truques que só a noite via
[Verso 2] Velhas pediam “deixa fiado” Eu pesava a balança com o olhar Punha um pouco por conta da casa E o resto ia para eu acumular
Nas tascas falavam em fortuna Que um dia fizera de repente Mas ninguém viu a mão na torneira Nem o medo colado à minha frente
[Refrão] Rebola bilhas Ó sorte torta Quem nunca teve Manda a pedra Fiz da rua a minha porta Do gás A minha moeda
Rebola bilhas Rei do bairro A rir da fome que me prendia Enchi a vida por entre falhas Com truques que só a noite via
[Ponte] Comprei um quarto com janela Um fato novo Sapato a brilhar Mas quando passo por aquela esquina Oiço crianças a sussurrar
“Olha ali o Rebola Bilhas” Como se o nome fosse punhal E eu sorrio Cabeça erguida Porque a vergonha ficou no jornal
[Refrão] Rebola bilhas Ó sorte torta Quem nunca teve Manda a pedra Fiz da rua a minha porta Do gás A minha moeda
Rebola bilhas Ficou na boca De quem viu pouco e muito dizia Eu fiz fortuna à minha custa Pagando caro à minha vigia
[Outro] Se a vida é peso sobre as costas Que seja assim Na mão que trilha Uns rebolam culpa Outros sonhos Eu só aprendi a rebolar bilhas
A zene stílusa
Classic Lisbon fado with male vocals, mournful guitarra portuguesa answering each line. Strophic verses build from intimate storytelling into a bittersweet, soaring chorus where the voice leans into grit on key words. Subtle upright bass and brushed snare creep in by the second verse, ending on a hushed, unaccompanied final line for dramatic effect., fado