“Durante o sono, a alma se emancipa…” — ensina Kardec. E assim, quando a carne repousa, o espírito, liberto do peso terreno, segue o chamado natural da liberdade.
Deixo o corpo no leito, como quem deixa um barco no cais, e atravesso mares invisíveis rumo a outros portos, de luz ou não.
No espaço etéreo, reencontro afetos queridos, que a morte aparente apenas afastou dos olhos; abraços se tornam preces, palavras são transmitidas pelo pensamento.
Ali, aprendo lições que o dia não me mostra: a vida é contínua, a morte é só mudança de morada, o amor é a ponte que liga todos os mundos.
Alguns sonhos são véus coloridos, tecidos pelas impressões da mente; outros, porém, são memórias verdadeiras de viagens que a alma empreendeu.
Ao despertar, nem tudo recordo… mas no íntimo guardo a certeza de que enquanto dormia, vivi — e que o sono é ensaio para o grande despertar da eternidade.