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A CONTA DA POMBA GIRA
Era um homem muito brabo,
Dizia que não tinha medo,
Na roda fazia pose,
Jurava guardar segredo.
Bateu no peito e falou:
“Comigo ninguém se cria!”
Mas foi fazer uma promessa
Pra Dona Pomba Gira.
Ô mulher, ô mulher,
Olha a conta que chegou!
Prometeu pra Pomba Gira,
Depois fingiu que esqueceu, acabou!
Ô mulher, ô mulher,
Eu bem que avisei primeiro:
Com palavra de entidade
Não se brinca por dinheiro!
Prometeu vela, prometeu flor,
Prometeu bebida e respeito,
Disse: “Se ela me ajudar,
Eu vou cumprir direito!”
Aconteceu o que ele queria,
Saiu sorrindo todo contente,
Mas quando chegou a hora
Ficou de bobo, de repente.
“Depois eu faço, deixa pra lá,
Amanhã eu vou resolver...”
A Pomba Gira só observava:
“Vamos ver até onde vai você!”
Ô mulher, ô mulher,
Que homem enrolador!
Na hora de fazer promessa
Era valente e vencedor.
Depois que a conta chegou,
Mudou até o tom da voz:
Quem prometeu pra Pomba Gira
Vai ter que responder depois!
Começou a perder o sono,
Tudo dava errado então,
O dinheiro sumia ligeiro,
Só sobrava preocupação.
Procurava a chave e não achava,
Saía atrasado todo dia,
Até o chinelo sumiu de casa...
“Isso é a Pomba Gira!”
Mas ela não pediu fortuna,
Nem carro, nem mansão,
Só queria que ele cumprisse
Aquilo que deu de coração.
Porque promessa é compromisso,
Não é conversa de botequim,
Se deu sua palavra pra ela,
Então cumpra até o fim!
Ô mulher, ô mulher,
Agora aprendeu a lição:
Não faça promessa no impulso
Se não tem disposição!
Era brabo, era valente,
Dizia que era o maior...
Mas diante da Pomba Gira
Virou menino e ficou só!
Hoje quando ele promete,
Pensa duas vezes antes de falar:
“Promessa eu não faço à toa,
Se eu falar, vou honrar!”
E quando alguém pergunta:
“Cadê aquele valentão?”
Ele responde baixinho:
“Tá pagando a prestação!”
Ô mulher, ô mulher,
Não precisa nem explicar...
Quem dá palavra pra Pomba Gira
Tem que saber honrar!
Porque ela pode até sorrir,
Pode até deixar passar...
Mas quando chega a cobrança,
Meu amigo... é bom pagar!