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FILHA DE OYÁ
Eu vim do vento, ninguém vai me parar,
Filha de Oyá, nasci pra me transformar.
Se a vida me derruba, eu levanto diferente,
O que era cicatriz hoje fortalece a mente.
Já fui menina que chorava escondida,
Tentando entender as pancadas da vida.
Me deram silêncio, eu virei trovão,
Me deram feridas, eu fiz proteção.
Eu já perdi pessoas, já perdi direção,
Já duvidei de mim, já quebrei o coração.
Mas quando o vento bateu, eu ouvi minha voz:
“Levanta, minha filha, você nasceu pra ser feroz.”
Não sou mais aquela que aceitava qualquer coisa,
Meu coração é doce, mas minha alma é poderosa.
Aprendi que partir também pode ser vitória,
E que algumas perdas escrevem o início da história.
Eu mudei, eu cresci, eu renasci,
Tudo aquilo que doeu me trouxe até aqui.
Se tentaram apagar a mulher que eu sou,
O vento soprou forte e meu fogo aumentou.
Eu sou filha de Oyá,
Sou tempestade no ar,
Se o mundo fecha a porta,
Eu aprendo a atravessar.
Eu sou filha de Oyá,
Não nasci pra recuar,
Cada vez que eu me transformo,
É mais difícil me quebrar.
Hoje eu piso firme, sei quem eu sou,
Não corro mais atrás de quem nunca me valorizou.
Meu passado não manda no meu presente,
Eu fiz da minha dor uma mulher consciente.
Já fui abrigo de quem nunca me abrigou,
Dei minha verdade pra quem nunca enxergou.
Mas o vento levou tudo que não era meu,
E deixou só a força que dentro de mim nasceu.
Não confunda minha paz com fraqueza,
Eu conheço minha força, conheço minha natureza.
Posso ser carinho, posso ser vendaval,
Sou mulher de verdade, não personagem ideal.
E quando o vento passar pelo meu rosto,
Vou lembrar de tudo que eu já suportei.
Cada queda, cada medo, cada desgosto,
Foi moldando a mulher que eu me tornei.
Não quero voltar pra quem eu era,
Aquela versão ficou pra trás.
Se hoje eu sou tempestade,
É porque aprendi a ser minha própria paz.
Eu sou filha de Oyá,
Sou tempestade no ar,
Se o mundo fecha a porta,
Eu aprendo a atravessar.
Eu sou filha de Oyá,
Não nasci pra recuar,
Cada vez que eu me transformo,
É mais difícil me quebrar.
Que o vento leve o que não combina comigo,
Que leve o medo, a dúvida e o perigo.
Eu não sou mais quem um dia chorou,
Sou a mulher que a própria tempestade criou.
Filha de Oyá...
Eu aprendi a mudar.
E se a vida virar vento...
Eu nasci pra voar.