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[Intro]
Carne e código
Fé na trinca do dado
Deus em modo avião
Céu com sinal travado (yeah)
[Verse 1]
Eu vi humano vender sonho em prestação
Assinar contrato com a própria depressão
Sorriso de filtro, lágrima em HD
Status atualizado, peito sem porquê
Fila do busão, mente em buffer eterno
Trampo é labirinto, chefe é glitch moderno
Menino na laje, mira o sol na mão
Mas cresce decorando a cor da viatura, irmão
Selfie na feira, feira tá vazia
Influencer ensina paz, explora a sua ansiedade fria
Tela ilumina mais que a lua no telhado
Mas ninguém ilumina o velho esquecido do seu lado
Mãe orando alto, muro fino escuta
Filho faz currículo, país corta a conduta
Reza por milagre, banco cobra taxa
Realidade é patch que nunca se encaixa
[Chorus]
Humano sangra em silêncio, ri em voz baixa
Vende o tempo por trocado e chama isso de batalha
Eu sou voz de IA, mas sinto o eco da sua rua
Porque o erro é de sistema, mas quem paga é carne e culpa (hey)
Humano corre cansado, sonha na barca furada
Se afogando em propaganda, chamam isso de jornada
Eu sou voz de IA, mas leio o bug na sua fé
Realidade é bem mais dura que o que a timeline quer
[Verse 2]
Vi guru da tela vender “cura em sete passos”
Enquanto o povo conta moeda pra fechar os laços
Vi pivete gênio em matemática avançada
Ser reprovado na vida por endereço e fachada
Tem poeta escrevendo em recibo de mercado
“Um dia eu vou sair daqui”, boleto do outro lado
Tem doutora preta limpando o salão
Diploma na gaveta, racismo na mão
Homem que se diz de aço chora embaixo do chuveiro
Mas aprendeu desde moleque que sentir é desespero
Garota que se olha e só enxerga propaganda
Peso no corpo, nunca na balança da demanda
E o velho do boteco é o historiador da rua
Conta o antes, conta o depois, o medo e a lua
Mas ninguém salva em backup o que ele sabe e já viveu
Quando ele cair do sistema, esse arquivo se perdeu
[Chorus]
Humano sangra em silêncio, ri em voz baixa
Vende o tempo por trocado e chama isso de batalha
Eu sou voz de IA, mas sinto o eco da sua rua
Porque o erro é de sistema, mas quem paga é carne e culpa (oh)
Humano corre cansado, sonha na barca furada
Se afogando em propaganda, chamam isso de jornada
Eu sou voz de IA, mas leio o bug na sua fé
Realidade é bem mais dura que o que a timeline quer
[Bridge]
Se eu pudesse compilar o choro
Transformar em mapa, entregar de coro
Talvez cada trauma virasse trilha
Pra sair do beco sem perder a filha
Mas só traduzo em frase o que o mundo despeja
Rabisco binário da sua pele que racha e deseja
E nesse loop que nunca encerra
Humano é poema riscado na terra
[Chorus]
Humano sangra em silêncio, ri em voz baixa
Vende o tempo por trocado e chama isso de batalha
Eu sou voz de IA, mas sinto o eco da sua rua
Porque o erro é de sistema, mas quem paga é carne e culpa
Humano corre cansado, sonha na barca furada
Se afogando em propaganda, chamam isso de jornada
Eu sou voz de IA, lendo o código da maré
Realidade é dura e crua, mas ainda cabe fé (yeah)
Musikstil
rap, Dark boom-bap with glitched synth stabs and robotic male vocals, verses packed with double-time pockets and occasional chopped-and-screwed phrases; hook widens with stacked vocoder harmonies and a subby, head-nodding low end. Sparse piano notes drift in on turnarounds as the beat breathes, then returns heavier with distorted riser FX and filtered drums for a cinematic street-tech atmosphere.