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O poeta
Que ser desperto para as causas desmaiadas!
Seresteiro na noite.
Vigia, atende de dia.
Ele é quem percebe no embrulho lindo, de bom gosto,
no lacinho de capricho colorido, em baixo, escondidinho, o nó.
É assim em tudo; pessimista e esperançoso...,
para quem as horas são vigias de sua existência,
a existência um laboratório de emoções,
tendo o sentimentalismo como tubos de ensaio.
Canta belo e triste a canção triste e bela
— que é triste por ser bela, segundo o Poetinha —
e a beleza é, por si só, tristeza de ser invejosamente admirada
e medrosamente, desconfiadamente; amada.
O poeta quando ama
— e ele sempre ama —
busca sons na alvorada e sente no peito o ricocheteio
alegre dos nascentes raios solares.
O poeta defende que pássaros são manhãs que voam.
O poeta ama.
Pensa na glória do amor e se humilha,
cresce dentro de si, se expande multi-facetado em cores,
chega perto de chegar perto de Deus e se agiganta
ama desmesuradamente e canta, e canta, e canta...