Carlinho mentiu, nas promessas de casas populares, a esperança alheia jogada ao vento, como as telhas que nunca brotaram. Quebrou a Nossa Senhora, aquela que brilhou no palco, um troféu a mais na vida errante, mas a fé esfacelada não se remendam com cola. Pagou trezentos, um valor alto para um terreno vazio, onde sonhos murcham como flores sem água, o chão, ingratamente, não vale o peso da mentira. Comprou dois caminhões, mas a carga é leve, coisas que não vão a lugar algum, apenas peças de um quebra-cabeça, onde Carlinho se perdeu, navegando em mares de desilusões.