Abram cancha pro meu canto que vem abrindo fronteiras, na benção dos sete santos e a santa cruz missioneira. Meu canto tem a beleza de uma flor de pitangueira, a bravura e a destreza do bote de uma cruzeira, mas também tem a pureza das aguas de uma cachoeira. Se o céu tapar o meu canto numa noite enluarada, enrolo o poncho no braço e saio abrindo picada, levando nacos de nuvens na ponta da minha pratiada. Eu canto aos quatro ventos os quatro braços da cruz, saudando quatro elementos que a nossa vida conduz. A agua pura das fontes o fogo que nos da luz, a terra e meus horizontes que a defender me propus, o ar das coisas do ontem que hoje meu canto seduz. Na minguante e lua nova que a agua entra pra o chão, pra retornar com meu canto na crescente inspiração, pras noites de lua cheia banharem meu coração. Já fui criança fui jovem e sou adulto ordeiro, pois são lembranças que movem a velhice de um campeiro. No pensar e no sentir procuro ser verdadeiro, no falar e no agir eu uso a razão primeiro, pra quando de novo eu vir seja o mesmo missioneiro. De manhã canto com as aves ao meio dia também, a tarde agradeço ao sol de onde os versos me vem, a noite eu abro a garganta bombeando as luzes do além. Quatro letras pronuncia o nome do criador, se usa a mesma quantia quando se fala em amor. Eu canto as quatro estações sempre no mesmo louvor, baseio minhas orações em quatro livros senhor, quatro tronco das missões de Dom Noel o precursor. Norte sul leste oeste ouro prata bronze e aço, aos quatro cantos do mundo eu mostro o verso que eu faço, todos cantado em louvor a esta cruz de quatro braços.