[Verse 1] O berço cheio de larvas Me vigiando sem olhar Nas fotos que não lembram Do que eu não quis lembrar
Meu nome inteiro na ficha Rafaela Letra por letra Mas dentro era só ruído E uma pergunta aberta
[Chorus] Eu não me lembro daquele dia Mas ele mora em mim Como unha que cresceu torta Como marca no jardim Eu não me lembro daquele dia Mas sinto o quarto girar Toda vez que fecho os olhos E tento me ninar
[Verse 2] Vinte e nove de novembro Vento quente em Ubatã Dizem que chovia pouco Dizem que eu cheguei assim Sem drama
Interior riscando o mapa Estrada de terra e de pó Minha mãe deitada Exausta Meu pai fingindo que era herói
[Chorus] Eu não me lembro daquele dia Mas ele mora em mim Feito cheiro de remédio Que insiste em ficar na pele Eu não me lembro daquele dia Mas sinto o ar faltar Quando alguém fala em família Quando tentam me abraçar
[Bridge] E se o berço fosse limpo E se a casa fosse azul Eu seria outra pessoa Ou seria sempre eu? Larvas viram asa Ou só somem por aí? O que fizeram com meu corpo Antes de eu existir?
[Chorus] Eu não me lembro daquele dia Mas ele mora em mim Como risco em porcelana Como dente de marfim Eu não me lembro daquele dia Mas hoje eu posso contar Que a menina em Ubatã nasceu Pra não mais se calar
Styl muzyki
Intimate indie folk, nylon-string guitar and subtle piano, female vocals in close-mic whisper-to-cry arc; verses almost spoken, chorus blooms with airy harmonies and a low, warm bass swell. Sparse percussion with soft brushes enters on second chorus, letting the vocal confession stay front and center.