Santo Cristo, o guerreiro do sertão Não tinha medo, João de Santo Cristo Todo o povo já sabia, ele se perdeu Largou pra trás a terra seca e dura Pra sentir no peito o ódio que o mundo lhe deu Quando criança, já sonhava ser valente Mais ainda quando viu o pai ser derrotado Era temido nas ruas da sua aldeia E até os professores com ele tinham cuidado Na igreja ele ia só pra tirar proveito Roubava as moedas que as velhinhas deixavam lá Sabia mesmo que era diferente Sentia que aquilo ali não era o seu lugar E então pensou que queria ver o mar E as coisas grandes que a televisão mostrava Juntou o pouco que conseguiu ganhar E, sozinho, no caminho se lançava Comia as menininhas da cidade De tanto brincar, aos doze era professor Mas no caminho foi pro reformatório E o ódio nele cresceu junto com a dor Não entendia porque a vida era assim Só por ser negro e pobre, tinha que sofrer Cansado de respostas não achar Pegou a estrada e foi direto a Salvador Chegando lá encontrou um boiadeiro Com uma passagem e um destino a perder João disse “eu vou no seu lugar” E foi de ônibus direto pro Planalto ver Achou a cidade linda e iluminada E prometeu pra si mesmo começar A trabalhar e fazer o seu dinheiro Cem mil por mês, cortando madeira no lugar