Oh cara mia, deitei-me no colo de Orfeu e em tuas curvas sinuosas me vi a sonhar... Peço a ti ó cara mia, dama que de minhas sofreguidões tens a posse, rogo por teu perdão, pois tu... Que tão encarecidamente agraciou-me em pureza o vislumbre de tão belos relicários, não tiveste culpa alguma do ato selvagem que os demônios de minha mente me impuseram... Pois em culpa vos confesso dama de eterna beleza, que em sonhos regados de luxúrias e libertinagem, eu este ser maculado pelos pecados ardentes profanei com minhas mãos, labios e carne, estes santos relicários... Ó gentil expiação esta... Teus labios como dois ruborizados peregrinos, suavizavam meu rude contato em carne e desejo e adiante no tempo meus labios sedentos vos percorriam de relicário em relicário ardendo de paixão e de tua boca, agraciava-me com o som de sua voz, tal qual anjos em couro entoava um canto em sonoridades vogais seguidas do arfar oneroso de prazer que sucedia por vossas unhas a cravar em minha pele como feras em presas... Uma serenata foi composta em sonhos lúdicos e úmidos