Lyrics
[Intro]
Quando a lua se apaga atrás da montanha,
o mato prende a respiração.
Há pegadas fundas na terra molhada,
e um risco de garra no portão.
[Verse 1]
Vieram dos campos onde nada cresce,
ossos velhos chamavam pelo nome.
Ossos à mostra, pele ressequida,
olhos amarelos procurando fome.
Cheiram o medo por baixo da porta,
ouvem um passo a quilômetros daqui.
Não fazem promessa, não pedem passagem,
só deixam a noite decidir.
[Pre-Chorus]
Um uiva ao norte, dois fecham o leste,
três descem lentos pelo quintal.
A casa parece grande de dia,
mas fica pequena quando eles vêm no final.
[Chorus]
Carniçais, carniçais,
bocarras cheias de dentes.
Carniçais, carniçais,
olhos acesos entre a gente.
Se o cheiro da carne alcançou a estrada,
não há janela, muro ou oração.
Eles cercam em silêncio, apertam a roda,
até não sobrar saída no chão.
[Verse 2]
A lâmpada morreu no corredor,
o relógio parou antes de bater.
Debaixo da cama, a irmã mais nova
conta as unhas que rasgam o telheiro.
No poço, alguém respira depressa,
mas ninguém se atreve a olhar.
Uma sombra passa sobre a água,
e outra começa a arranhar.
[Pre-Chorus]
Um uiva ao norte, dois fecham o leste,
quatro bloqueiam o velho portão.
A matilha aprende o desenho da casa,
e espera o primeiro coração.
[Chorus]
Carniçais, carniçais,
bocarras cheias de dentes.
Carniçais, carniçais,
olhos acesos entre a gente.
Se o cheiro da carne alcançou a estrada,
não há janela, muro ou oração.
Eles cercam em silêncio, apertam a roda,
até não sobrar saída no chão.
[Bridge]
Não corra para a mata — eles já estão lá.
Não suba para o sótão — há garras no ar.
Não chame seu irmão — ele não responderá.
A voz que vem do quarto não é dele, não é sua, não é humana.
[Breakdown]
Raspam a madeira.
Trincam o trinco.
Farejam a fresta.
Sentem o pulso.
Um passo.
Mais perto.
Outro passo.
Sem retorno.
[Final Chorus]
Carniçais, carniçais,
bocarras cheias de dentes.
Carniçais, carniçais,
ninguém escapa entre os vivos e os ausentes.
Quando a última vela se curva apagada,
a noite termina sem explicação.
Eles cercam em silêncio, apertam a roda,
e levam o último grito pela escuridão.
[Outro]
Ao amanhecer, só restam marcas
fundas na terra junto ao portão.
Mas quando o vento traz cheiro de carne,
a matilha levanta a cabeça no chão.
Style of Music
dark cinematic gothic metal, Portuguese horror storytelling, slow stalking groove, low male baritone verses, feral gang vocals in the chorus, distorted guitars, bowed low strings, timpani, sparse verses expanding into crushing choruses, tense dynamic builds, raw ominous mix with clear narrative vocals