[Verse 1] Eu não lembro daquele dia Mas ele mora em mim Como se o tempo tivesse parado Pra nunca ter fim Nasci em terra vermelha No silêncio do sertão Com seis meses de vida Conheci a solidão O mundo era grande demais Pra caber no meu colchão Só cabia um choro curto E um pedido em oração
[Chorus] Terra vermelha grudada no pé Coração seco pedindo café Quem é que cuida de quem nasceu cedo demais? Foto amassada guardada no chão Nome riscado do lado do pão Eu era só um risco torto em caderno de pais Terra vermelha Cicatriz que não se desfaz
[Verse 2] Cresci contando estrelas tortas Do batente até o curral Aprendi a ler nas latas De um mercado estadual Minha escola era a distância Entre a fome e o quintal O brinquedo era uma lata Puxada em fio de sisal O mundo era grande demais Pra vista do meu varal Mas cabia num fio de voz Cantando meu próprio sinal
[Chorus] Terra vermelha grudada no pé Coração seco pedindo café Quem é que cuida de quem nasceu cedo demais? Foto amassada guardada no chão Nome riscado do lado do pão Eu era só um risco torto em caderno de pais Terra vermelha Cicatriz que não se desfaz
[Bridge] Hoje eu volto pela estrada Que me viu tentar fugir (hei) Cada cerca me pergunta Se valeu eu não desistir Trago marcas Trago falhas Trago um resto de jardim Mas aquele dia antigo Ainda mora aqui em mim
[Chorus] Terra vermelha grudada no pé Coração firme Já fiz meu café Agora eu cuido de quem chegou tarde demais Foto amassada ganhou molduração Nome riscado virou canção Eu sou aquele risco torto ensinando os seus ais Terra vermelha Raiz que me puxa pra trás
Style of Music
Dusty Brazilian folk-pop ballad over nylon-string guitar and soft percussion, male vocals. Intimate, close-mic verses with gentle fingerpicking; choruses bloom with airy pads, subtle choir harmonies, and warm bass. Bridge strips back to almost a capella tension, then final chorus returns wide and emotional, with a lifted key feel and tambourine shimmer.