Em o horror desta muda soledade, Onde voando os ares a porfia, Apenas solta a luz a aurora fria, Quando a prende da noite a escuridade. Ah cruel apreensão de uma saudade! De uma falsa esperança fantasia, Que faz que de um momento passe a um dia, E que de um dia passe à eternidade! São da dor os espaços sem medida, E a medida das horas tão pequena, Que não sei como a dor é tão crescida. Mas é troca cruel, que o fado ordena; Porque a pena me cresça para a vida, Quando a vida me falta para a pena.