No alto da íngreme rua, perto do vento morava uma menina que adorava caneta e papel. Não empinava pipas coloridas. seu maior passatempo Era ver suas rimas soltas subindo ao céu.
Os versos corriam leves dançantes Fazendo piruetas no céu de marfim Cada palavra virava balões gigantes Flutuando num azul de risos sem fim
A cidade passava de olhos fechados Surda as rimas que o vento trazia Mas quem escutava com o coração A menina sentia na alma sua poesia
Seus dedos prendiam os fios de brisa, E a cada estrofe dançava no vento Um cordel brincava por entre as nuvens da esquina Uma parlenda galopava mil e um firmamentos
Um dia o vento soprou tão forte Que os poemas voaram pra todo lugar Entraram nas casas romperam o norte Foram brincar onde alguém quisesse escutar
A menina olhou e abriu um sorriso Pois sabia que os versos não tem prisão Se são livres como o passarinho lhes digo Logo vão pousar leve em outro coração