Eu quero espaço Senão o faço; Traço, Me amasso e passo! É preciso espaço hoje e amanhã, É preciso o jardim na praça. E ruas com “flamboyant”. É preciso gente com raça Que abraça, Que traça, Que enlaça. Quero espaço vital Sem limite, sem fronteira, Sem muro, sem porteira, E com um vasto quintal. Quero sair da algema, Enfrentar o problema, Ter a consciência limpa ao dormir, Encarar qualquer drama. Quero espaço na vida Sem olhos a me seguir, Andando a pé na avenida Com direção de ir e vir. Quero escrever um livro Encucando o poder e o povo, E se cortarem no crivo Quero começar de novo. Quero ativar os pés Do peregrino cansado, Fazê-lo ter fé novamente, Para atender todo chamado. Quero espaço pra acordar A consciência que dorme, Pôr as trombetas a tocar Para que não se conforme. Quero olhos e ouvidos abertos - Um microfone com bom som – E que a massa chegue bem perto Para o brado de libertação. Quero espaço para a odisséia, Esclarecimentos pelo ar. Humilhante não é mudar de ideia, Humilhante é não ter ideias para mudar!