Letra
[parte 1]
Pedi ao tatuador uma imagem,
De um animal robusto, cheio de força e coragem.
Poderia ser musculoso, com chifres e casco firme,
E persistente, como dizem do signo de Touro.
[parte 2]
Pedi um coração que não se abala com o vento,
Que não teme o esforço e nem a dor.
Pedi uma força que lavra, que prepara a terra -
Mas o artista apenas em silêncio me olhou.
[refrão]
“Não te dei chifres, te dei asas.
Não te dei casco, te dei graça.
Tua força não é peso, não é grito —
É o que sustenta o mundo sem fazer ruído.”
[parte 3]
“Você pediu para ser robusto,
Para ser aquele que não se dobra.
Existe sim a força bruta,
Mas existe a outra: a força oculta” —
[parte 4]
“Aquela que se torna leve para voar
Mesmo diante da dúvida.
O touro empurra o mundo com o corpo inteiro,
A borboleta o atravessa como um sopro por estreita fenda.”
[ponte]
Um vence pelo músculo, pelo tanto que resiste.
Outro vence ao pousar na superfície que não existe.
Hoje carrego os dois no braço, tatuados:
O touro que sonhei — e sempre fui, sem ter notado —
E a borboleta que a vida forjou em mim,
Cada vez mais leve, e jamais vencida.
Aprendi que a força não vale o quanto pesa,
Que ela pode atravessar o mundo numa asa feita de seda.
E cair mil vezes, e pousar novamente,
Leve como quem não teme mais o próximo revés.
[final]
“Não te dei chifres, te dei asas.
Não te dei casco, te dei graça.”
Hoje eu sei que ser forte é isso:
Continuar voando, mesmo além do precipício.