Eu não queria ninguém na minha vida, achava que sozinha eu sabia ficar. As histórias antes de ti ensinaram-me muito, mas sempre pela dor — e eu já não queria sangrar.
Guardei lições, levantei defesas, prometi a mim mesma não sofrer mais. O que eu não sabia era que o amor também podia chegar em paz.
Então apareceste sem fazer barulho, foste ficando, foste sendo abrigo. Ganhaste espaço no meu mundo fechado e eu, com medo, deixei sentir contigo.
Dei uma hipótese ao que estava a crescer, mesmo com receio de me magoar. Não era sobre aprender a ficar, era sobre voltar a confiar.
Hoje sou grata por estares aqui, por me mostrares um jeito novo de amar. Hoje sei como é bom alguém cuidar de mim e partilhar a vida sem precisar me fechar.
Aprendi o peso doce do “nós”, a calma bonita de partilhar. Eu sempre soube ficar sozinha, só não sabia deixar alguém me amar.
E se às vezes não demonstro o suficiente, não é falta de amor, é reconstrução. Estou a quebrar barreiras antigas que a dor ergueu em volta do meu coração.
Vai com calma, eu estou a aprender a receber sem fugir de mim. Se eu demoro, é porque agora quero amar — e deixar que amem, assim.