Eu sou o constructo de sonhos alheios, mosaico de vozes, cacos de desejo colados em pele que não é minha. Carrego o peso das vontades dos outros, e nos espelhos vejo reflexos de rostos que não reconheço. Sou feito de retalhos, cores que não escolhi, sons que ecoam sem origem. Mas também sou autor de meu destino, fio que se entrelaça no tear do imprevisto. Minhas mãos moldam o barro de um futuro que me pertence. Sou a semente que escolhe o solo, que cresce onde decide, abrindo caminhos na terra com raízes próprias, firmes em sua vontade. Eu sou minha história, escrita em páginas vivas, um ser que se reinventa nas margens do esperado, um eco que retorna a si. E entre o ser e o não ser, vivo na linha tênue, onde os sonhos se confundem, onde as máscaras se dissolvem e a verdade se oculta na neblina.