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Doze de novembro de mil novecentos e oitenta e nove
Meu irmão, Ricky Deivi Duarte.
Lembra da casa em Curitiba? Seu berço.
Criança aventureira, faz parte!
Lembra das suas corridas, da sua alegria, dos ralados?
Eu ajudando a mãe a cuidar dos seus machucados.
O tempo passou, a gente mudou.
Lembra da casa no Jardim do Estádio?
Deus me perdoe, a gente era criança.
Mas peguei alguns brinquedos do vizinho “emprestados”.
A bronca nos ensinou a ser um pelo outro, estar lado a lado.
Seu primeiro gesso, as escaladas pro telhado.
Lembra quando voltamos pra Vila?
Ali começa nossa história de verdade.
As lutas, as tretas, a amizade.
Os desafios, as conquistas, a aprendizagem.
A gente começou a aprender a progredir
O tio Bibo nos ensinou a nadar, jogar bola, pipa, rolimã, até a dirigir.
Lembra quando o Eric levou a gente pra acampar?
Jogamos futebol junto, na AABB, como equipe, mas era no Duque que a gente gostava de jogar.
Foram vários rolês, que quando eu te ver, de todos a gente vai lembrar.
A gente cresceu, quanta coisa começou a mudar?
E no Antunes do centro viu gente de todo lugar, sempre destacado, no vestir, no linguajar.
A galera começou a invejar.
Uma treta, maloqueiros de centro querendo te apavorar.
Mal eles sabiam o que era sintonia antiga,
E que sempre comigo você poderia contar.
Sobre essa treta, na letra, não vou esticar,
Quem viu tava lá,
Né não, Boris?
Salve, meu mano, sempre lembrado!
A escola resolvida, o caminho tava claro
Você soube prosperar,
Cuidou sempre da Pan, sua irmã.
Acho que isso as amigas dela devem lembrar.
A vida passando, Às vezes brigando, mas seguimos lutando sem nos separar.
Lembra do primeiro trampo juntos, destaque para empreender?
Fez curso, manjava de vinho, e no caminho se tornou sommelier.
Seu foco era excelente, sua saúde exemplar,
Um aprender inteligente, um professor a ensinar.
Forjado por cicatrizes, um guerreiro, um gênio, alguém a admirar.
Você lembra?
Pensava em construir família, ser pai, meu sonho também
Acho engraçado como nossa vida era ligada,
A sensação de ter te encontrado em vidas passadas.
Em meados de junho, aos vinte e cinco anos, essa é uma data que não gosto de lembrar.
A vida te levou, não vou nem comentar.
No começo fiquei revoltado, me perdi, fui egoísta, meu mundo quebrou, não conseguia pensar.
Como essa tal vida tem coragem de tentar me separar de você?
Sem uma despedida adequada, um até logo, um “a gente vai se encontrar”.
Nada.
Uma visita da morte, precoce, sem avisar.
Com um vazio e as vezes no escuro
Eu sigo vivendo, lutando, amando, crescendo
E quando eu te encontrar, vou te contar tudo.
Porque aonde quer que você vá, ou aonde quer que você esteja, no infinito do universo, imortalizo sua presença.
Eu mando um salve pro céu, amém.
Eu me lembro de tudo, irmão.
Eu tava lá também.
Ricky Deivi Duarte.
Dois toques, pra sempre