A água, de tanto navegar, ficou à tona, no meio do mar O fogo, de tanto esquentar, ficou sozinho, quase que flutuando Os dois até se conheceram, não fazia muito tempo, mas se olhavam bastante E de tanto se abraçarem, de tanto se apertarem, viraram um só, uma fumaça diferente E viajaram o mundo todo, com os dentes à mostra de tanto sorrir E riam, ah, riam o bastante pra fazer as crianças calarem Até que começou a chover, o suficiente pra inundar o próprio deserto E tudo então ficou verde, tudo começou a florir As plantas se sentiam vibrantes Os animais nunca mais sentiram sede E a água não sabia, mas o fogo tinha certeza Que tudo ali fazia sentido Até os quebra-cabeças de milhões de peças Pareciam coisa de criança de tão bobo que ficou